Quando me chamaram de “inútil” — uma história sobre portas e escolhas
⏰ Hoje O que aconteceu Naquele dia, meu filho me chamou de “inútil”. Foi uma palavra curta, mais rápida do que a respiração, mas com peso suficiente para atravessar minhas defesas. Senti o chão faltar por alguns segundos: mistura de vergonha, raiva e uma vontade enorme de desaparecer. “Uma palavra dita no calor do momento…
“Uma palavra dita no calor do momento pode mudar o ritmo de uma casa inteira.”
No dia seguinte, movida por uma mistura de medo e necessidade de me proteger, decidi trocar todas as fechaduras da casa. Não foi só sobre segurança física — foi sobre recuperar controle, desenhar um limite claro entre o que eu aceito e o que não aceito dentro do meu lar.
Por que eu tomei essa decisão
Trocar fechaduras foi, para mim, um gesto simbólico e prático. Eu precisava de um tempo para respirar, para reorganizar pensamentos e sentir segurança ao entrar e sair de casa. Aquela ação me deu autonomia imediata — algo que palavras alheias tentaram tirar.
Também foi uma forma de mostrar que limites existem e que o respeito é prioridade, mesmo quando a pessoa ferida é um filho. Limite não é castigo; é cuidado consigo mesmo.
Como foi depois
Nos primeiros dias senti alívio e, ao mesmo tempo, um peso. Trocar as fechaduras não resolveu os sentimentos, mas me deu espaço para pensar. Comecei a escrever — desabafei em papel, coloquei palavras nas emoções que vinham à tona.
Com o tempo, percebi que precisava conversar. Não para justificar ou para criar um teatro, mas para entender o porquê daquela palavra e ajudar meu filho a entender o impacto dela.
O que aprendi
- Limites são um gesto de amor próprio;
- Reparar relacionamentos exige diálogo, não apenas ações simbólicas;
- Palavras ditas no calor podem doer — e também podem ser oportunidade de aprendizado.
“Trocar as fechaduras foi o primeiro passo. O segundo foi abrir a porta para conversar.”
Um convite
Se você já passou por algo parecido, saiba que não está sozinha. Atos de proteção e autocuidado são válidos. Quando se sentir pronto(a), procure criar espaço para diálogo. Às vezes, portas trocadas precisam ser reabertas com palavras sinceras.
